Meta description: Está em desenvolvimento na Umbanda e não sente nada? Entenda as causas espirituais, o que a tradição diz sobre isso e como avançar no seu caminho com fé e paciência.
Última atualização: junho de 2025
Introdução
Lembro bem de uma irmã de corrente que chegou ao terreiro com os olhos marejados. Ela tinha meses de desenvolvimento, frequentava as giras, cantava os pontos, mas sentia que nada acontecia com ela. “Será que eu não tenho dom? Será que os guias não querem me?” ela perguntou, com a voz tremendo.
Essa situação é muito mais comum do que parece. E posso te dizer, por experiência própria e por tudo que aprendi no terreiro: não sentir nada não significa que nada está acontecendo. Significa, muitas vezes, que o processo está apenas começando — ou que algo precisa ser ajustado.
Se você está passando por isso, este artigo foi escrito para você.
Resumo rápido
- Não sentir nada durante o desenvolvimento é normal e tem causas espirituais e emocionais conhecidas.
- O desenvolvimento mediúnico na Umbanda é um processo gradual que exige preparo do corpo, da mente e do espírito.
- Existem práticas e cuidados que podem ajudar a abrir e afinar a mediunidade com respeito à tradição.
O que é o desenvolvimento mediúnico na Umbanda
O desenvolvimento mediúnico é o processo pelo qual o médium aprende a receber, sentir e trabalhar com as energias das Entidades e Orixás que compõem o panteão da Umbanda.
Não se trata de um talento especial reservado a poucos. A tradição ensina que toda pessoa tem alguma ligação com o mundo espiritual. O que varia é a forma como essa ligação se manifesta — e o tempo que leva para ser reconhecida e trabalhada.
Na Umbanda, o desenvolvimento acontece dentro do terreiro, sob a orientação de um pai ou mãe de santo. Ele envolve a incorporação de guias como Pretos Velhos, Caboclos, Exus e Pombagiras, além do alinhamento com o Orixá de cabeça do médium.
[LINK INTERNO: artigo relacionado — O que é a gira de Umbanda e como funciona]
Por que alguns médiuns demoram mais para sentir
O corpo precisa de preparo
O físico é o primeiro veículo da mediunidade. Um corpo com excesso de tensão, alimentação desequilibrada ou uso de substâncias pode funcionar como um “ruído” que dificulta a percepção das energias sutis.
Na minha prática, vi isso acontecer muitas vezes: médiuns que começaram a sentir mais depois de adotar uma rotina de banhos de ervas como arruda, guiné e manjericão — plantas que a tradição usa para limpeza e abertura espiritual.
A mente cria bloqueios reais
A ansiedade de “querer sentir” pode ser exatamente o que impede o contato. O espírito que se aproxima precisa de um canal quieto. Quando a mente está em alerta máximo esperando uma sensação, ela fecha o espaço que o guia precisaria para se manifestar.
Aprendi no terreiro que a entrega precede a incorporação. Não é uma entrega passiva, mas uma confiança ativa: “estou aqui, pronto, sem pressa.”
A mediunidade tem tipos diferentes
Nem todo médium incorpora. Existem médiuns videntes, que enxergam as Entidades. Médiuns auditivos, que ouvem orientações. Médiuns intuitivos, que recebem sensações e insights.
Muita gente passa anos achando que “não sente nada” porque estava esperando o tipo errado de manifestação.
Ponto de Atenção: Se você está em desenvolvimento há mais de um ano sem nenhuma percepção de qualquer natureza, converse com seu pai ou mãe de santo. Pode ser necessário um trabalho específico de desobstrução, como uma defumação com alecrim e benjoim ou um banho de descarrego orientado pela sua liderança espiritual.
O papel do tempo e da humildade no processo
Cada um tem seu tempo
A Umbanda não tem fórmula de velocidade. Conheço médiuns que desenvolveram rapidamente e outros que levaram anos. Ambos chegaram ao mesmo lugar: ao serviço com amor e responsabilidade.
[FONTE: “Umbanda: A Proto-Síntese Cósmica” — Aluísio Fontenele Saraiva]
O que importa não é a velocidade, mas a profundidade. Um desenvolvimento acelerado sem base firme pode ser mais prejudicial do que um desenvolvimento lento e sólido.
A frequência ao terreiro importa
Estar presente nas giras, ajudar nas funções do terreiro, cantar os pontos cantados mesmo sem incorporar — tudo isso cria um vínculo com as Entidades e fortalece o campo energético do médium.
Eu mesmo passei um período cantando na corrente sem nenhuma sensação física. Mas os guias estavam trabalhando. E quando a incorporação veio, ela veio com firmeza — porque o terreiro já era minha casa.
O preparo ritualístico acelera o processo
Alguns terreiros trabalham com passes específicos para abertura mediúnica. Outros utilizam defumação coletiva antes das giras. O ponto riscado do médium e a identificação do seu Orixá regente também são ferramentas que auxiliam o processo.
[FONTE: “Povo de Santo” — Beatriz Góis Dantas]
Ervas, banhos e elementos que apoiam o desenvolvimento
A tradição da Umbanda reconhece o poder das ervas como aliadas do processo espiritual. Para o desenvolvimento mediúnico, costumam ser indicadas (sempre com orientação do seu pai ou mãe de santo):
- Alfazema — para acalmar a mente e abrir o campo energético
- Manjericão — associado a Oxóssi e à abertura espiritual
- Erva-de-Santa-Maria — para limpeza e clareza mediúnica
- Alecrim — proteção e elevação vibratória
- Camomila — suavidade e receptividade espiritual
Banhos feitos na quinta-feira — dia associado a Xangô e à justiça espiritual — ou na sexta-feira — dia de Oxum e da sensibilidade — são especialmente indicados para esse tipo de trabalho.
Dica Espiritual: Antes de qualquer banho de ervas, peça licença às Entidades com as quais você trabalha. Diga seu nome, sua intenção e agradeça pela ajuda. A intenção potencializa o poder das ervas.
Cuidados, respeitos e avisos espirituais
O desenvolvimento mediúnico nunca deve ser forçado. Técnicas que prometem “abrir o médium” em poucas sessões fora do contexto do terreiro merecem atenção e cautela.
A tradição é clara: o guia vem quando o médium está pronto, não quando o médium quer. Qualquer tentativa de apressar esse processo sem o acompanhamento de uma liderança espiritual responsável pode abrir brechas para energias que não são as Entidades de luz.
Fique atento também ao seu estado emocional geral. Momentos de luto, conflito intenso ou esgotamento físico podem temporariamente “fechar” o campo mediúnico — e isso é natural, não é sinal de abandono espiritual.
Perguntas Frequentes
P: Quanto tempo leva o desenvolvimento mediúnico na Umbanda? R: Não existe um prazo fixo. O desenvolvimento pode levar meses ou anos, dependendo do histórico espiritual de cada pessoa, da constância no terreiro e do preparo físico e emocional do médium.
P: É possível ter mediunidade e nunca incorporar? R: Sim. Existem vários tipos de mediunidade — visão, audição espiritual, intuição, cura. Nem todo médium incorpora Entidades, e isso não torna sua mediunidade menos real ou menos valiosa.
P: O que fazer quando não sinto nada na gira de Umbanda? R: Continue presente, cante os pontos, mantenha a intenção limpa e converse com seu pai ou mãe de santo. Evite forçar ou comparar seu processo com o de outros médiuns.
P: Banhos de ervas ajudam no desenvolvimento mediúnico? R: Sim, quando feitos com orientação espiritual adequada. Ervas como alfazema, manjericão e alecrim são tradicionalmente usadas para limpar e abrir o campo energético do médium.
P: Não sentir nada no desenvolvimento significa que não tenho dom? R: Não. Significa que o processo está em curso e que algo pode precisar ser ajustado — seja no preparo físico, na forma de recepção ou na abertura emocional. Fale com sua liderança espiritual.
Conclusão
O caminho do desenvolvimento mediúnico é um dos mais belos e também um dos mais desafiadores dentro da Umbanda. Exige paciência, humildade e confiança — tanto no próprio processo quanto nas Entidades que guiam cada passo.
Se você não está sentindo nada agora, não desista. Continue frequentando o terreiro, cuidando do seu corpo e da sua mente, e confiando na sua liderança espiritual. O guia sabe quando você está pronto. E quando o encontro acontecer, você vai entender que cada momento de espera tinha um propósito.
Axé no seu caminho.
Encontre no Império dos Sete
As ervas para banho espiritual são aliadas fundamentais no processo de desenvolvimento mediúnico. Um banho bem preparado, com as plantas certas e a intenção certa, cria as condições energéticas para que o médium se abra com segurança e amor.
No Império dos Sete, cada erva é selecionada com respeito à tradição — escolhida com cuidado para garantir que você tenha acesso a um material de qualidade, alinhado com o que a Umbanda ensina.
Se você está em desenvolvimento e quer apoiar seu processo com ervas e banhos de confiança, fale com a gente.
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Sobre o autor
Sou praticante de Umbanda há mais de quinze anos, iniciado em terreiro de linha cruzada no interior de São Paulo. Ao longo dessa trajetória, passei pelo desenvolvimento mediúnico, pela iniciação nos fundamentos e pelo trabalho de gira com Pretos Velhos e Caboclos. Escrevo sobre a tradição porque acredito que o conhecimento compartilhado com respeito fortalece a fé de todos — dentro e fora do terreiro.

